A estiagem levou o Rio Grande a atingir o seu nível mais baixo nos últimos quatro anos em Colômbia (SP). O reservatório da usina hidrelétrica de Marimbondo, a mais próxima do município, está com 28% de sua capacidade, abaixo dos 45% esperados para essa época do ano.

Devido à baixa, diferentes trechos do rio perderam profundidade a ponto de expor as pedras do fundo, como na ponte na divisa com Minas Gerais, onde as bases das pilastras estão descobertas.

“Esvaziou de uma vez só. Esse nível que está hoje é um nível que estaria em novembro”, afirma a bióloga Maria Inácia Macedo Freitas, integrante do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Espécies da Fauna Aquática Ameaçadas de Extinção do Ecossistema dos rios Grande, Pardo, Sapucaí-Mirim e Mogi (PAN Mogi/Pardo/Sapucaí-Mirim/Grande).

Baixa do Rio Grande

Homem caminha e puxa embarcação em trecho do Rio Grande que perdeu profundidade em Colômbia, SP (Foto: Reprodução/EPTV)

De acordo com Maria Inácia, o esvaziamento do Rio Grande é um problema que vem se acentuando nos últimos seis anos. “Isso significa que a cada ano que passa o Rio Grande está com menos quantidade de água no seu leito. E hoje o reservatório se encontra com 28% de água da sua operação para gerar energia.”

Com a falta de chuvas, segundo a bióloga, a usina de Marimbondo sofre o resultado de uma reação em cadeia, com a necessidade de outras usinas, rio acima, reterem água em seus reservatórios.

“Não chove suficiente para que esse nível da água dos reservatórios das hidrelétricas que estão situadas no Rio Grande suba um pouco mais. Então eles têm que reter água e consequentemente aqui, uma das últimas hidrelétricas, fica seco.”

O nível do Rio Grande em Colômbia só não é ainda mais baixo, de acordo com ela, devido à chegada das águas do Pardo. “Como a foz do Pardo fica a cerca de dois quilômetros, o que mantém o reservatório de maribondo um pouco cheio ainda são as águas que vêm dele e elevam um pouquinho o nível”, afirma.

Além do prejuízo à navegação, Maria Inácia alerta para o risco à vida marinha, devido ao acúmulo de esgoto nas águas do Rio Grande, e o prejuízo para pescadores da região, que têm atuado mais no auxílio à pesca esportiva. “Única forma que está gerando um pouco de renda para os pescadores é trabalhar de pirangueiro, como guia, é onde estão conseguindo ainda fazer”, diz.

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