Fala professor – Arrogância

"O arrogante pensa que sabe de tudo, tem opinião pronta sobre todas as áreas, sente-se expert de tudo, mas no fundo compreende as coisas de forma rasa e superficial, sem profundidade, sem maiores estudos, tudo composto na base do achismo".

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Arrogância quer dizer qualidade ou caráter de quem, por considerar possuir superioridade moral, social, intelectual ou de comportamento, assume atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros. É quando alguém literalmente se acha, com sentimento de estar acima dos semelhantes e se julga no direito de arrogar-se, colocar-se num patamar superior, diante da suposta inferioridade de alguém. A arrogância é a ausência da humildade, o oposto da serenidade, da compreensão de que somos todos interligados e dependentes uns dos outros.  O arrogante pensa que sabe de tudo, tem opinião pronta sobre todas as áreas, sente-se expert de tudo, mas no fundo compreende as coisas de forma rasa e superficial, sem profundidade, sem maiores estudos, tudo composto na base do achismo.  Assim, a arrogância é parceira da vaidade exagerada, num constante afã de se julgar melhor que os outros.

Não podemos confundir autoestima com arrogância. Uma coisa é reconhecermos o nosso verdadeiro valor e ter autoconfiança, confiar em nossa capacidade. Outra coisa é, acima de tudo, ter a devida noção do tamanho que temos para poder, assim, aprimorar, crescer com gente, avançar como ser humano. Nosso amor próprio não pode ser tão grande a ponto de sufocar nosso amor pelos outros, nem alimentar desprezo por outras pessoas.

Geralmente o arrogante é um ser presunçoso, pedante. São os verdadeiros chatos de plantão. A sociedade os reconhece, os avalia, os julga. Exercer comportamentos individualistas, egocêntricos e desrespeitosos só leva ao distanciamento e não à consideração das pessoas. Detecta-se um arrogante de longe. O olhar, o jeito de falar, a prepotência dos gestos, a presunção desmedida, tudo leva à convicção de que se está diante de uma arrogante. Para se obter o respeito alheio é preciso dedicar respeito ao outro, saber que estamos neste mundo para partilhar saberes, muito mais recebemos que doamos, muito mais aprendemos que ensinamos. Para aquele que muito se acha, basta colocá-lo em uma biblioteca e saberá que, mesmo na menor delas, você ainda está longe de conhecer o mínimo do saber desenvolvido ao longo dos milênios. Há os doutores em tudo, gente que imagina que sabe tudo de futebol, de relacionamento amoroso, do funcionamento de uma empresa, de administração pública, de condução de uma família. Mas, ao verificar a fundo, nota-se que é um fracasso em quase tudo aquilo que ousa demonstrar espetacular conhecimento.

Pessoas assim são geralmente intolerantes a quem pensa diferente, pois consideram único o seu jeito de ver e analisar o mundo. Isso é sinal de fraqueza. O arrogante vive a se gabar, contar sobre seus feitos, sempre tem uma história pronta para abafar o que o outro lhe disse. Os nossos umbigos não podem ser tão grandes a ponto de considerá-los o centro do universo. Somos o substrato de coisa alguma. Diante da imensidão do universo, o que somos? Somos, sim, importantes para os que nos cercam e, dependendo da função que exercemos, para os distantes também.  Porém, é primordial compreender o nosso papel no mundo e a nossa pequenez perante a grandeza de tudo, diante da imensidão do firmamento. O espelho do arrogante é embaçado, não permite avaliar a si próprio, infelizmente. Os defeitos dos outros são enormes, no entanto, os seus viram virtude.

Diante da arrogância precisamos ser compassivos, exercer o dom da compaixão. Tentar compreender, sem julgar tanto. Tentar ajudar e alertar de forma sutil, quando possível, quando tiver o mínimo de abertura para tal.  Se você diz “odeio os arrogantes”, de nada ajudará; melhor dizer que não aprecia a arrogância, mas tenta entender e ajudar quem a possui. Até mesmo porque podem ser pessoas que possuem um passado doloroso e que necessitam de ter o ego abastecido, de ter o aplauso alheio constante, de obter a aprovação de todos. Na verdade, é uma espécie de carência emocional e psicológica. Você pode ter encontrado um sentido na dor e buscado outros caminhos para a cura, outros nem tanto. Melhor então é trabalhar isso dentro da gente para não sermos contaminados pelo vírus da arrogância.

É isso aí!

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