Professor, José Luiz de Paula e Silva é palestrante e escritor. É autor do volume de crônicas "E o tempo sorria". Docente na FAF-Faculdade Frutal. Conselheiro Fiscal do Sicoob Frutal. Colunista de jornais impressos e sites de notícias. Apresentou o quadro Travessia, na 102 FM de Frutal (MG). Atuou como secretário municipal de educação da cidade de Frutal (MG), do período de 2005 a 2016. Para entrar em contato, escreva para professorjoseluizdepaula@gmail.com

Diz-se de um sentimento de simpatia, de bem querer que alguém nutre por outro alguém ou por alguma coisa. Isso é apego. Uma dedicação em excesso por alguma pessoa. Pode ser confundido com amor ou posse. A questão verdadeira é que nos apegamos demais a tudo. E aí, fica difícil quando algo foge de nossas mãos, quando alguém precisa se distanciar. Não aceitamos, sofremos, choramos. Os pais que não aceitam o filho ir embora. Somos egoístas ao pensar assim, queremos dar conforto ao nosso apego para não sofrer com as ausências daquilo que supostamente julgamos ser donos.

Fazer o certo, sem apego nem desapego, apenas para praticar a reta ação, sem esperar retribuição. Pode ser que ele, o reconhecimento, não venha, mas há a confiança e consciência de ter praticado a coisa certo, atuado no palco da vida para o bem. Não podemos fazer do nosso apego uma espécie de escravidão, de cárcere que nos prende e aprisiona os outros. Quem ama sabe o momento certo de soltar as mãos, de deixar voar, de permitir as distâncias. Nosso apego demasiado sufoca quando pretendemos dirigir a vida das pessoas, e assim perdemos ainda nossa própria liberdade ao desejar demais o controle de tudo e de todos. A gente se imagina dono, porém é o contrário: somos prisioneiros e dominados por esse sentimento dominador.

Algumas dores na alma que sentimos vêm da necessidade do apego, da ideia de que queremos que tudo seja como a gente quer que seja. Quanta ilusão! Que tenhamos um certo apego por aquilo que vale a pena e desapego pelas coisas que nada se ganha em cultivar, nem acumular. Precisamos nos apegar aos sonhos, às metas na vida. E às pessoas devemos dedicar amor e quem ama permite os voos altos e longínquos, se for necessário.

Na vida tudo passa. Não somos donos de determinados espaços ou situações. A pessoa trabalha uma vida toda num determinado emprego. Quando se aposenta, sofre porque pensa que tudo aquilo pertencia à sua vida. Nada disso. Fez o que pode enquanto pode. O legado ficou lá. Ninguém vai derrubar o que feito, no sentido amplo da expressão, porque já está feito. Se fizerem pior ou melhor, será outra história, outro momento, responsabilidade de quem veio depois.

É salutar que criemos elos com as pessoas. Esses elos, essas boas ligações nos complementam, faz com que nos ajudemos mutuamente. Elo não é apego excessivo. Elo é força solidária, é vínculo positivo que se dá entre os seres. Temos elos uns com os outros, temos elos com a natureza. O sol não está perto de mim, mas ele é primordial e cumpre seu papel, sem exigir nada em troca.

Todo apego demasiado traz cegueira, impede de olhar com clareza, atrapalha a liberdade e a sensação de paz. Quem se apega demais, se agarra e não quer soltar. É uma emoção desesperada de quem não aceita nada diferente do que seja o que professa ou acredita. E vamos, às vezes, nos agarrando aos medos, às incertezas, às inseguranças e deixamos de viver e, pior, perturbamos a vida dos nossos objetos do apego, pois é um medo de perder e vamos, assim, nos perdemos. É insegurança, uma impressão de que nossa proteção vem do outro, vem de fora.

A sensação é de que se aquilo que está fora não se mexe, não precisaremos nos mexer também, nem sair de nossa zona de conforto. Isso beira o egoísmo. Tudo está em movimento, o universo está em constante mutação. Somos seres em movimento também. Não tem jeito. As coisas irão mudar e temos de mudar junto. Não podemos fazer das pessoas uma escora que ampara nossas vidas, se elas saírem do lugar, fatalmente cairemos. Se temos vivido situações assim, então é chegada a hora da reflexão e de rever posturas.

É isso aí!

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