Desilusão, palavra que tem a companhia do prefixo latino des, que tem sentido negativo ou de oposição. Ou seja, a perda da ilusão, o contrário da ilusão. Quando sofremos um desapontamento, uma decepção, algo que nos levou à descrença, frustração com alguma pessoa, damos o nome de desilusão, sinal que as coisas não fluíram da forma que esperávamos, ou que deveria ser. Na vida, a gente vai acumulando desilusões. Seja no trabalho, no convívio com as pessoas em qualquer campo da vida. Sofremos desilusões de toda sorte, especialmente as amorosas. Pelo menos, servem para inspirar os poetas e compositores e deixá-los num estágio de sensibilidade aflorada para poder escreverem as mais belas canções e poesias (algumas nem tanto, é bom que se diga).

Por acreditarmos demais nas pessoas é que sofremos as desilusões. Entregamo-nos e dedicamos a maior confiança para logo nos apercebemos que as pessoas são humanas e por isso falham. Geralmente, quem nos desilude, nos decepciona, é quem está perto, quem convive conosco. Quem está longe, está longe.  É como se estivesse sendo rompido um elo de confiança. Daí surge o desengano, a falta de esperança. Ficamos tão decepcionados com algumas coisas que achamos que o mundo inteiro é igual e fechamos o coração para as novas possibilidades, com receio de viver tudo novamente e sofrer de novo. As desilusões existem, não há como negar. Apenas, que elas não sejam maiores que nós e tenha o poder de nos diminuir, de nos tornar pequenos, parados na vida, com medo de prosseguir e viver. É claro que é preciso viver o luto da desilusão. Mas, passado este tempo, é salutar levantar a cabeça, reencontrar as forças e não desanimar. Tem coisa que a gente pensa que é para sempre, mas o sempre pode terminar na próxima esquina, virar fumaça, simplesmente acabar. Nós é que não podemos nos permitir acabar, nem virar fumaça.

Com tantas desilusões a gente tem medo até de confiar nas pessoas. Na verdade, ninguém é ruim até prova em contrário. Não devemos nos entregar tanto, nem se afastar tanto. As pessoas merecem a chance de mostrar seu valor ou a falta dele. Com ressalvas, vamos conhecendo uns aos outros. Que as decepções vividas possam servir de lições para nos fazerem melhor. Tem pessoas que deixam o rancor e o ressentimento tomar conta do coração e tornam-se pessoas amargas, sem esperança. Ninguém merece conviver com gente assim, tão cheias de negatividade. Nossas carências, algumas vezes, são as culpadas por nossas desilusões. Esperamos além da conta, queremos receber muito e tem hora que nada vem. É a dinâmica da vida. A vida vai se ocupando de fazer um filtro daquilo que devemos investir e nos dedicar e as coisas pelas quais vale a pena lutar. O que não dá, deixa pra lá!

Desde criança a gente sofre desilusões, enfrenta as perdas. A perda do seio da mãe, que vai sendo trocado por uma mamadeira, até nos desvencilharmos do bico, para ir nos acostumando com as ausências da mãe. Assim, vamos colecionando desilusões ao longo da vida. O importante mesmo é amor com fervor, mas com a serenidade de quem sabe que nem tudo é perfeito, e de que tudo pode mudar. Que essas coisas que nos ferem tenham a capacidade de nos fazer mais fortes e preparados, prontos para viver as novas aventuras. O que não podemos permitir em nós é perder a esperança e os sonhos de viver um amanhã melhor que o hoje. Pois, se aprendermos a lidar com as desilusões, a nossa confiança básica se manterá sólida, nos dará forças e coragem para buscar novas ilusões, renovadas fantasias, cada vez mais viáveis e realizáveis. É a aprendizagem pela dor vivenciada, a desilusão experimentada, sofrida, mas que nos fortalece. A vida é uma aventura que exige ousadia, coragem para, inclusive, encarar as desilusões. É vital ainda que saibamos perdoar porque o ser humano é falho, cai, erra. As pessoas que mais amamos também erram, assim como nós também erramos. Mesmo assim, não deixamos de amar, nem de receber o amor delas.

É isso aí!

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