A palavra orgulho tem duas significações. A primeira diz de um sentimento positivo, de satisfação própria, de sentir uma coisa boa sobre outra pessoa ou a si próprio. Por exemplo: “eu tenho orgulho de meus filhos”; “sinto orgulho pelas coisas que sou capaz de criar”. A segunda significação já remete a um sentimento negativo de quem se sente superior aos outros, excesso de admiração dos próprios feitos, uma certa arrogância. Neste sentido, a pessoa orgulhosa, por se achar superior, evita conviver com quem acha que não está digna de sua companhia. Isola-se, torna-se antissocial. O orgulho, visto pelo ângulo da negatividade, faz parte dos sete pecados capitais, de tão grave que é. É sinônimo de soberba. É importante que tenhamos boa autoestima, que acreditemos em nós mesmos, que tenhamos conhecimento de nossas potencialidades, mas não podemos, por isso, considerar que estamos num patamar de superioridade. Isso é empáfia.

Voltaire, o renomado pensador francês, dizia que “o orgulho dos pequenos consiste em falar sempre de si próprios; o dos grandes em nunca falar de si.” Deixe que os outros reconheçam seu valor. Não devemos ser tão prepotentes. Gostamos muito de contar nossos feitos, enumerar nossas qualidades; sempre, ao ouvir um fato de alguém, temos de contar nossas próprias histórias cheinhas de atos retumbantes, quase heroicos. Quanto maior o conhecimento e a sabedoria, menor o orgulho. O orgulho se assemelha à vaidade e se contrapõe à humildade. Iinfelizmente, a pessoa muito orgulhosa é pouco grata, porque considera que tudo o que recebe é por mérito próprio, por merecimento. Não sabe reconhecer que viver em comunidade é depender uns dos outros o tempo todo. Mas, este orgulho em demasia faz com que os outros se afastem: gera a solidão.

Quando criança, éramos seres inocentes, sem as maldades de hoje. Aí, ouso perguntar: a criança que você foi um dia teria orgulho da pessoa que você se tornou hoje? Mas, responda a si próprio deixando o orgulho de lado, não sendo tão cheio de orgulho próprio. Não devemos sentir orgulho do que temos, das coisas materiais que ajuntamos. Sintamos orgulho pelo que somos, pelo valor que carregamos no coração, não nos bolsos. Que o espelho no revele e mostre realmente quem somos. Com humildade, reconhecendo as fraquezas, podemos nos tornar seres melhores. O ruim é que tem pessoas que não conseguem se despir do orgulho. Para estas, até mesmo seus defeitos são virtudes. São almas tristes, que ainda não enxergaram a verdadeira luz da humildade. Tem pessoas que sentem orgulho da árvore frondosa que um dia plantou, porém não aceita dividir sua sombra com mais ninguém. A maior beleza da vida é poder repartir, dividir as pequenas coisas, dividir seu sorriso, sua palavra amiga, seu abraço afetuoso. Não deixe que seu orgulho o impeça de viver as coisas boas, de perdoar, de aceitar o outro, de ser feliz.  Tem hora que a gente também erra. Somos humanos. Arrepender-se, voltar atrás, pedir perdão é bem mais belo que este orgulho que a gente teima em carregar, isto só serve para ir nos corroendo por dentro, nos deixando mais tristes. Nosso orgulho, primo da vaidade, vai nos afastando da verdade. Querer receber aplausos o tempo todo é uma coisa a ser superada dentro de nós. Enfim, o orgulho é feito o sol. Se a gente olhar demais para ele, vai acabar nos deixando cegos. Aproveitemos a luz, sem nos deixar perturbar a visão!

É isso aí!

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