O vitimismo é a condição que a pessoa carrega ao se colocar sempre no papel de vítima, como se todas as pessoas do mundo estivessem contra seus propósitos ou estivessem conspirando para derrubá-la. É um desejo íntimo, quase involuntário, de sentir a compaixão alheia, contar com a compaixão dos outros, sente que assim ameniza as críticas e pode ainda ter em seu favor a piedade das outras pessoas. O vitimismo então se torna uma espécie de anomalia psíquica, uma enfermidade da alma. É uma forma de atrair a atenção dos outros para seu mundo particular. Algo que ocupa a mente de quem assume o complexo de vítima – a mania de assumir, na vida, a postura de mártir sofredor – é uma destrutiva patologia psicológica. Os que caíram nas garras da autopiedade vão por aí, puxando a carroça dos seus sofrimentos quase sempre imaginários, mas não por isso menos reais, porque provocam dor e, pior, provocando nos outros aversão e repulsa. Isso é muito triste, quando se sabe que tudo o que eles querem é exatamente o contrário: ganhar carinho e atenção.

O vitimismo é um poço de sentimentos negativos. Dele surge a tendência para culpar os outros (o pai, a mãe, os irmãos, a sociedade, a vida, o mundo, os maus fados, o destino) e fazer deles os responsáveis pelas nossas próprias mazelas, pelos próprios fracassos e decepções. Dele ainda surgem as couraças de autodefesa que não nos permitem relaxar e viver de modo saudável nossa relação com os outros e conosco mesmos.  Do vitimismo vem a impressão sempre absurda e impossível de que nós não precisamos mudar. Os outros é que sempre estão errados. É a pior das cegueiras, pois destrói na pessoa a autocrítica, o discernimento e a capacidade de avaliação racional das situações.

Com perdão da força da expressão, o vitimismo é um demônio de muitas faces, o vitimismo é mestre em matéria de distorção da realidade. Parente próximo da tristeza, quando ele se ocupa do íntimo de uma pessoa, o vitimismo coloca diante dos olhos um filtro cinza e opaco que a impede de apreciar – e se alegrar – com as cores do mundo. Claro que existem situações em que de fato a pessoa é vítima. Maus tratos físicos, psicológico, uma pressão, um assédio, ou mesmo um desprezo por parte daqueles que deveriam dar mais atenção. Isso pode sim acontecer e não deve ser ignorada. São condições que devem ser resolvidas e não carregadas por toda uma vida. Sair desta condição e não persistir no papel de vítima é uma opção, nunca uma realidade definitiva, um bloqueio intransponível. Viver se queixando, exercendo a autopiedade, não o levará a uma condição de vida melhor, mais feliz. Pelo contrário, causa ojeriza, afasta os outros.

Do vitimismo vem a impressão sempre absurda e impossível de que nós não precisamos mudar.

Na verdade, o vitimismo é uma espécie de imaturidade, uma forma de não querer assumir minhas próprias culpa, tomar as rédeas de minha própria vida. Ao sentir pena de si próprio, a pessoa estaciona, torna-se estagnada, fica aguardando os outros tomarem decisões sobre suas próprias vidas. Ficam na cantilena na hiena chorona, no célebre desenho animado. Oh, dia! Oh, vida! Oh, azar!

Desenvolver este papel de vítima é criar para si e mostrar para o mundo um atesto de incapacidade, de impotência, de fracasso humano. Nossa mente precisa ser forte e não depender de ficar arranjando desculpas para tudo e jogando a culpa nos outros. Muitas coisas que são dadas como motivos por nossos fracassos, nossas frustrações, deveriam ocupar outra função em nossas vidas. “Minha vida é assim porque nasci pobre, negro, gay, mulher, etc.” Isso deve ser motivo de inspiração, nunca de derrota. Apesar da dura realidade imposta pela sociedade, somos capazes de vencer, dar um tapa na mesa e virar o jogo. O sabor de nossas vitórias será bem melhor. Assumir o comando de nossas histórias é o primeiro passo, nós somos responsáveis por tudo o que ocorre em nossas vidas, com exceção das catástrofes naturais, a morte por exemplo. Se não estamos satisfeitos, felizes, com alguma circunstância, cabe a nós mudar os rumos, e não ficar esperando impassíveis que alguém produza um feito mágico e tudo mude de trajetória.

Pergunte a si mesmo: o que posso fazer para mudar esta história? Sua mente inteligente e emancipada haverá de dar a resposta certa. Viver neste mundo de lamentações não vai nos levar a lugar algum. Apesar de parecer mais cômodo, não vai resolver nada. O acalanto esta dentro de nosso coração e de nossa alma corajosa. Só ela é capaz de vencer as piores adversidades. Assim, tenhamos força e fé!

É isso aí!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here