Lausamar Humberto | A queda de mitos

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Lausamar Humberto é advogado e jornalista. De 2007 a 2015 foi professor de jornalismo na UEMG. Como advogado, atua na área cível e trabalhista. É também poeta, tendo publicado em 2015 seu primeiro livro: “O Que Resta”. Contato: lausamar@yahoo.com.br ou www.facebook.com/lausamar

Lance Armstrong era o Pelé do ciclismo. Lula era o Pelé da política brasileira contemporânea. Por que este paralelo entre estes dois nomes?  Esclareço a seguir.

Lance Armstrong se tornou um ídolo mundial após ter se recuperado de um câncer e vencido o Tour de France (Volta da França), principal competição do ciclismo, por sete vezes consecutivas, entre 1999 e 2005. Ele se aposentou naquele ano, mas decidiu voltar em 2009, quando novamente sofreu acusações de doping. O ex-ciclista americano acabou banido do esporte em 2012 pela Usada (Agência Americana Anti-Doping), que comprovou o uso de substâncias ilícitas por Armstrong enquanto competia.

O americano era alvo de acusações de doping desde que se recuperou do câncer, em 1996. Armstrong negou veementemente as alegações por mais de uma década.

Armstrong parecia um semideus. O ciclismo cresceu demais durante suas vitórias. Sua fundação de apoio aos pacientes com câncer chegou a arrecadar 550 milhões de dólares e a ajudar 3 milhões de pessoas. Mas sua conduta pessoal, sua fraqueza ao se aliar ao que há de mais podre no esporte, colocou tudo a perder.

Com Lula foi igual. Terminou seus dois mandatos presidenciais com uma taxa de aprovação jamais sonhada por outro governante. Conseguia eleger postes, como Haddad e Dilma. Como disse Obama, Lula era o “cara”.

Seus governos trouxeram conquistas importantes, sendo as principais delas o combate a miséria, com a expansão do Bolsa Família; a possibilidade de acesso à moradia para milhões, com o Minha Casa, Minha Vida e o aumento real do salário mínimo. Milhões de pessoas tiveram suas vidas melhoradas no governo Lula.

Assim como desde 1995 já havia denúncias contra Lance Armstrong, e só em 2012 ele foi punido, desde 2005 as denúncias contra Lula começaram a aflorar de maneira mais robusta. Mas ele passou incólume por este período. Parecia revestido de teflon: nenhuma denúncia grudava nele e sua popularidade só crescia.

Então veio a bendita Lava Jato. E todo um esquema de corrupção, de permanência dos piores métodos da política brasileira, foi revelado, tendo o presidente Lula no seu centro, como principal beneficiário, político e econômico. E ele sempre negando tudo.

Em 2017, a primeira condenação. Possivelmente outras virão, dos vários processos que ainda correm. O mito se desfaz.

Assim como há ainda há milhares de fãs de Armstrong que se recusam a aceitar o ocorrido, que alegam uma imensa conspiração contra o ídolo, também agem desta forma os lulistas de carteirinhas. Ambos se defendem acusando os adversários de também fazer o mesmo. A questão é que só se tornaram mitos porque se acreditou, por tempo demais, que eram bem diferentes dos demais.

Lance Armstrong foi banido do esporte em 2012. Lula precisa ser banido da política. Talvez já em 2018.

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