Lausamar Humberto é advogado e jornalista. De 2007 a 2015 foi professor de jornalismo na UEMG. Como advogado, atua na área cível e trabalhista. É também poeta, tendo publicado em 2015 seu primeiro livro: “O Que Resta”. Contato: lausamar@yahoo.com.br ou www.facebook.com/lausamar

“Eram cerca de 9h desse domingo, quando uma viatura do 9º BPM (Rocha Miranda) descia a Estrada Intendente Magalhães, no sentido Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio, com o porta-malas aberto. Depois de rolar lá de dentro e ficar pendurado no para-choque do veículo apenas por um pedaço de roupa, o corpo de uma mulher foi arrastado por cerca de 250 metros, batendo contra o asfalto conforme o veículo fazia ultrapassagens. Apesar de alertados por pedestres e motoristas, os PMs não pararam. ” (Jornal Extra – 17/03/2014)

lausamr

Azar nas circunstâncias.

Da classe errada. Da cor errada.

No lugar errado. Na hora errada.

 

Um estampido, e o peito explode.

Coração rasgado,

sangue e vida se esvaindo.

 

Vultos, gritos, confusão.

O corpo treme, a alma delira,

ambos jogados em um camburão.

 

O baque, a queda, o espanto.

Tecido da roupa mais forte

que o caráter de tantos.

 

O torpor não impede a agonia

em carne viva, carne dilacerada

pela camada de asfalto fria.

 

Não é possível imagens,

figuras de linguagem,

metafísicas deliberadas.

 

A poesia foi assassinada.

Como Cláudia.

Arrastadas, executadas,

por almas asfaltadas.

 

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