Lausamar Humberto | É tanto burburinho

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Lausamar Humberto é advogado e jornalista. De 2007 a 2015 foi professor de jornalismo na UEMG. Como advogado, atua na área cível e trabalhista. É também poeta, tendo publicado em 2015 seu primeiro livro: “O Que Resta”. Contato: lausamar@yahoo.com.br ou www.facebook.com/lausamar

Tanta pressa, tanta urgência, tantos compromissos, tantas vozes. Nos dias que correm, precisamos de paciências, de silêncios, de contemplações. Para nos ouvir, nos perceber.

Tempo menino

 

Eu, menino,

tinha tempo para lentidões.

Via a pequena bolinha,

difícil de se achar no meio da rama,

e a protegia de arrancos,

de bicho e de gente,

dia a dia, até se tornar fruto bitelo,

melancia generosa,

que só se comia em tantos.

 

Vigia paciencioso,

espreitava a pimenteira

plantada pelo pai,

até a chegada da primeira cumari.

Assim era também

com as flores da jabuticabeira,

com os filhotes do passo-preto.

Ia ligeiro, o enredeiro:

fui eu que vi, fui eu que vi, fui eu que vi.

Curtido neste tempo

de eu menino,

a correria me enerva,

o atropelo me angustia,

a afoiteza me soa

como insensatez.

Preparativos eficazes

de demências.

 

É neste tempo

meu e outro

que vou vivendo

e peço que compreendam.

Pau torto que não mais se apruma,

sou desajeitado para urgências.

 

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