Lausamar Humberto é advogado e jornalista. De 2007 a 2015 foi professor de jornalismo na UEMG. Como advogado, atua na área cível e trabalhista. É também poeta, tendo publicado em 2015 seu primeiro livro: “O Que Resta”. Contato: lausamar@yahoo.com.br ou www.facebook.com/lausamar

Há quem diga que o elevador é o mais seguro meio de transporte. E quando o passageiro é um azarado daqueles?

Carnaval de 2011. Domingo de manhã. Edifício 3 Poderes às moscas. Para adiantar alguns trabalhos da semana, resolvi buscar meu notebook que estava na redação do 360, no 4º andar, onde trabalhava. Ao descer pelo elevador, ele para no 1º andar. Não sabia, mas começava ali o meu drama.

A porta do bendito não abre. Aguardo alguns segundos e nada. De repente, o elevador cai, cai não, despenca. Despenca até a portaria, ou melhor, ultrapassa o piso da portaria em uns 70 centímetros. Não deu tempo nem de ter medo. Só senti o baque e cai de quatro, de gatão, que não é uma posição respeitável nem quando se está sozinho dentro de um elevador em queda. Já em pânico, pois meu estoque de coragem é pequenininho, começo apertar alucinadamente o botão pra porta abrir. Só abre a interna, a externa permanece fechada. Aperto a campainha. Ouço alguém dizer: _ Tem gente aí. Ufa, aleluia, vão me tirar daqui.

Qual o quê, o martírio só começava. Do nada, o danado do elevador começa a subir de novo. Aí o desespero foi completo. O bicho não parava de subir e eu pensava: “Agora não tem jeito, se ele cair daqui eu me arrebento, danou-se”. Nesta hora a gente comprova o acerto de Einstein na teoria da relatividade. Segundos viram uma imensidão de tempo. A ferrugem da minha prática religiosa desfez-se por encanto. Rezei uns cem Pais-nossos, umas cinquenta Ave-Marias, uns vinte Credos e até a oração Salve-Rainha, que nunca consegui decorar, rezei umas dez vezes. E o elevador não parava de subir. Chega ao 8º andar. Pensei: “É agora. Subir mais não dá. Ele vai cair. Tô morto”.

 

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Não caiu. A porta se abre e eu, mais amarelo que maracujá maduro, me arranco pra fora. Uma faxineira limpa o corredor e só consigo dizer que o elevador está com problemas. E desço pelas escadas. Os músculos do meu corpo se tornam autônomos e mexem sozinhos. Chego à rua e ao alívio de um espaço aberto com as pernas tremendo mais do que caboclo com maleita.
Percebo depois desta experiência que já sofri acidentes com carrinho de rolemã, bicicleta, moto, carro, ônibus e elevador. O problema não é com eles, é comigo. E ainda querem que eu viaje de avião. Acho que não. Melhor não.
(Depois disso, viajei de avião. Não caiu. Mas, por precaução, ainda não arrisquei uma segunda vez)

 

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