Lausamar Humberto é advogado e jornalista. De 2007 a 2015 foi professor de jornalismo na UEMG. Como advogado, atua na área cível e trabalhista. É também poeta, tendo publicado em 2015 seu primeiro livro: “O Que Resta”. Contato: lausamar@yahoo.com.br ou www.facebook.com/lausamar
Lausamar Humberto é advogado e jornalista. De 2007 a 2015 foi professor de jornalismo na UEMG. Como advogado, atua na área cível e trabalhista. É também poeta, tendo publicado em 2015 seu primeiro livro: “O Que Resta”. Contato: lausamar@yahoo.com.br ou www.facebook.com/lausamar

Neste sábado, convenção oficializou a chapa Ciça/Toninho Heitor para a disputa eleitoral de outubro. Foi dada a largada para que a ex-prefeita Maria Cecília tente vencer uma série de obstáculos para voltar a ocupar à cadeira de prefeita.

O primeiro grande obstáculo perante sua candidatura é a própria existência futura desta candidatura. Com uma condenação em segunda instância por ato de improbidade administrativa, a impugnação de sua candidatura é tão certa quanto o nascer do sol todos os dias.

É só aguardar para ver de onde virá esta impugnação: se de uma chapa adversária ou se do próprio ministério público eleitoral, o que é o mais provável. E enquanto a impugnação não se decide, uma questão incomodará o eleitor como cigarra esgoelada: “já há uma condenação, por um tribunal, por improbidade administrativa”. E aí?

Esta será a primeira eleição após a tempestade política causada pela Operação Lava Jato, que abalou os alicerces da república, impedindo grandes figurões da nossa política de terem boas noites de sono, sempre amedrontados pelo fantasma da chegada da turma da Federal.

Qual o peso que o eleitor dará ao quesito moralidade e honestidade depois das atuações do juiz Sergio Moro e dos procuradores de Curitiba? O eleitor será mais severo na escolha de seus candidatos? Agirá como um pequeno Moro, punindo nas urnas aqueles que não trataram bem a coisa pública? Se o eleitor tiver este comportamento, Ciça terá muita dificuldade.

Outro dado importante: como manter uma campanha sob o constante signo da dúvida? A justiça vai barra-la pela Lei da Ficha Limpa? Quem ocuparia seu lugar, no caso do impedimento? Na incerteza, o eleitor pode buscar clareza e um porto seguro.

O segundo obstáculo de Ciça é sua própria chapa. Conseguirá convencer os frutalenses dessa união política pouco natural? Os grupos de Toninho e Ciça não se suportam, o que é de conhecimento público. Entre os próprios candidatos há mágoas antigas. Não parecerá às pessoas que esta “união” se dá por mero interesse político, buscando a sobrevivência dos dois grupos? Que é praticamente impossível que Ciça e Toninho possam formar uma dupla harmoniosa para comandar o município?

O terceiro obstáculo tem a ver com o que os alemães chamam de Zeitgeist – espírito do tempo, espírito da época. Os tempos são de mudança. É consenso entre as pessoas que as cidades precisam de administradores modernos, com visão de futuro, arrojados. E esta não é a imagem pública da ex-prefeita. É uma política tradicional, com o que há de bom e de ruim nesta caracterização. Para a maioria das pessoas, é previsível o que seria um terceiro governo Ciça. E não creio que vejam uma Frutal que salte para o futuro neste período. Quererão os eleitores mais do mesmo?

lausamr

O quarto obstáculo é óbvio: os adversários na disputa. As dobradinhas Gilsen e Rodrigo Ravena e Caio e Zé Luiz trazem como primeira marca identificável algo que deve causar urticária no grupo da ex-prefeita: são nomes novos, têm cara de mudança. Das duas duplas, Caio e Zé Luiz vem fazendo um forte trabalho de pré-campanha, arregimentando importantes apoios e tomaram para si primeiro o discurso da inovação. Se, tempos atrás, falava-se que uma eleição de Ciça seria favas contadas, a coisa agora parece mudar de figura. A própria união Ciça e Toninho é prova desta nova situação. Navegasse em águas calmas, o grupo político da “madrinha” jamais admitiria tal arranjo político. Mas o mar não está pra peixe, e Ciça sabe disso.

Com um percurso tão complicado e com tantas questões a serem explicadas ao eleitor em uma campanha curta, Ciça não terá vida fácil.

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