Farol

CANSAÇO E DESCRÉDITO

Engenheiro Adriano Oliveira analisa equívocos no combate à Covid-19 que continuam existindo após um ano de pandemia

Por João Cerino em 04/04/2021 às 11:16:38

Hoje dia 4 de abril de 2021, estamos há mais de um ano do primeiro decreto municipal versando o sobre medidas restritivas para conter o avanço da pandemia de Covid-19.

Em Frutal, o primeiro decreto foi em 20 de março de 2020. À época deste primeiro decreto, feito às pressas e anunciado em cima da hora numa sexta feira, sem que as pessoas pudessem sequer se preparar e quando várias autoridades vieram a público pelos meios de comunicação local e redes sociais, avisar que tudo era para o bem da população, que o sistema de saúde não estava preparado, que precisavam de um tempo para adequar o sistema para combater esta doença então bastante desconhecida e que não havia ainda remédio e nem vacina.

Foi formado um comitê de enfrentamento que não incluiu nenhum membro da sociedade civil e nenhum representante dos empreendedores. Me parece que a Associação Comercial pode até participar da reunião, mas, sem direito a fala.

A partir daí começou o desastre ou o show, conforme o ponto de vista, Os ficais municipais, acompanhados de policiais militares, passavam pelo comércio fechando, lacrando e multando os "rebeldes" que teimavam em abrir. Multas foram emitidas. E as autoridades continuaram com a certeza arrogante de que estavam certos, alguns movimentos foram ensaiados contra, mas as pessoas estavam temerosas e se calavam.

Dinheiro foi repassado a estados e municípios pelo Governo Federal para o enfrentamento à Covid-19, não houve a menor transparência de como estes recursos foram utilizados e volto a repetir, o povo de cabeça baixa e sem muito conhecimento, obedecia.

Vários incidentes entre fiscalização e comerciantes ocorreram por conta dos decretos municipais e quem não acreditava nas medidas adotadas foram logo taxados de obscurantistas e contra a ciência. Mas gostaria de saber qual ciência, pois a própria comunidade cientifica tem se mostrado dividida quanto às medidas tomadas até o momento. O próprio Conselho Federal de Medicina, responsável por zelar pelo exercício da profissão médica, entrou em desacordo com a Associação Médica Brasileira sobre qual o melhor método a ser adotado no tratamento da doença.

Diante de todo o exposto, digo, parem de apontar dedo para este ou aquele como culpados e vamos admitir que ninguém tem o conhecimento completo para poder acusar ninguém de nada ou de dizer que tal tratamento é inócuo ou não, pois os próprios médicos e cientistas estão divididos. Vejo pessoas criando páginas de denúncias para denunciar quem se aglomera.

Acho que, neste momento, onde nem autoridades, nem médicas e nem jurídicas, sabem de nada, o melhor é cada um cuidar de si e de suas famílias da maneira que achar mais adequada e ninguém tem o direito de infringir o artigo 5º da Constituição, ferindo direitos inalienáveis do cidadão.

O momento em que vivemos reflete o cansaço do cidadão em relação às medidas que, até o momento, tem se mostrado ineficazes. E o descrédito total nas autoridades de todos os poderes constituídos e este descrédito, diga-se de passagem, correndo o risco de ser redundante, deve ser creditado à estas próprias autoridades que, num primeiro momento, quando davam entrevistas, tinham a certeza absoluta de que estavam fazendo o certo e não davam sequer o benefício da dúvida à população. Ninguém podia colocar em suspeição as certezas absolutas destas autoridades. O comportamento de nossos gestores, em todos os poderes, lá no princípio, fez com que chegássemos ao atual estado de cansaço e descrédito e às cenas de desobediência que temos presenciado.

Não posso terminar este artigo sem parabenizar o Juiz Giovani Augusto Serra Azul Guimarães, da Comarca de Ribeirão Preto que, em sentença questionando a prisão do empresário Eduardo Cornélio por ele ter se recusado a fechar o seu comércio. Segundo o juiz, em sua sentença, como o Brasil não está em nenhum regime de exceção, "o direito ao trabalho, ao uso da propriedade privada e à livre circulação jamais poderia ser restringido, sem que isso configurasse patente violação às normas constitucionais", o que torna "o decreto em que se fundou a prisão" de Cornélio "manifestamente inconstitucional".

Um Bom domingo de páscoa a todos.

Adriano Oliveira – Engenheiro Civil

Revista Atual