Farol

Quatro problemas odontológicos que se alastraram durante a pandemia

Além da limpeza das mãos, é fundamental lembrar que a higiene bucal também precisa de atenção durante a crise sanitária

Por João Cerino em 05/08/2021 às 10:52:34

Em tempos de pandemia, os cuidados com a higiene se tornaram ainda mais necessários e imprescindíveis para preservar a saúde individual e coletiva da população. Medidas como lavar bem as mãos e fazer uso do álcool em gel ao se expor a espaços públicos ou ao lidar com outras pessoas já viraram hábitos rotineiros. No entanto, além da limpeza das mãos, é fundamental lembrar que a higiene bucal também precisa de atenção especial durante a atual crise sanitária. Isso porque a ausência de limpeza adequada na cavidade bucal, dentes e superfície da língua propicia a proliferação de bactérias na gengiva, o que acaba ocasionando o surgimento de inflamações e o aparecimento de doenças periodontais. Ainda é preciso destacar que esse mau hábito pode contribuir para que a boca se transforme em um reservatório para o vírus, processo que pode agravar bastante o quadro de um paciente já infectado.

Mas não é somente com a higiene que as pessoas devem se preocupar. O estresse e medo provenientes do contexto de pandemia produziram e intensificaram comportamentos, reações e sentimentos que têm favorecido o desenvolvimento de patologias e lesões nos dentes. os principais problemas odontológicos que se agravaram durante a crise sanitária são:

- Bruxismo: Diversas doenças e distúrbios foram desencadeados durante a pandemia. Grande parte dos casos está relacionada ao estresse e ansiedade. Um dos transtornos que se tornou mais recorrente foi o bruxismo. Caracterizada pelo ato de ranger ou apertar excessivo dos dentes, a condição pode ser provocada por muitos fatores. Normalmente, tensão, depressão, ansiedade e outros fatores emocionais contribuem para a sua origem ou agravamento. Hoje, a disfunção se faz presente em cerca de 84 milhões de brasileiros, equivalente a 40% da população.

- Gengivite: Causada pelo acúmulo de placa bacteriana nos dentes, a patologia promove a inflamação da gengiva e pode atingir um grau bem alarmante com a elevação do estresse. Isso porque a alta dos níveis do hormônio cortisol durante situações de tensão enfraquece o sistema imunológico, tornando o corpo mais propenso a adquirir doenças infecciosas.

- Periodontite: A doença periodontal é uma condição crônica, que causa sangramentos na gengiva e o desmantelamento do aparato que dá suporte aos dentes. Pode ser considerada uma evolução da gengivite, que ocorre em indivíduos susceptíveis. Se não for tratada, pode acarretar a perda dentária. Um sistema imune saudável é o melhor escudo contra o problema. No entanto, sob estresse, as pessoas costumam liberar uma grande quantidade adrenalina e noradrenalina que não só podem levar a diminuição do fluxo sanguíneo, como interferir negativamente na ação de células de defesa e seus mediadores contra bactérias relacionadas à doença. Há diversos estudos na literatura científica que relatam a influência da periodontite no agravamento de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, artrite reumatoide, obesidade e, inclusive, a Covid-19.

- Cárie: Em situações de estresse, os nervos simpáticos do corpo sofrem grandes estímulos que acabam causando a vasoconstrição periférica. "O resultado disso é a redução do fluxo salivar e, consequentemente, a fragilização da resistência do organismo às bactérias, até mesmo aquelas que atuam na geração da cárie. Isso acaba favorecendo o aumento do número desses microrganismos na boca. Com a diminuição da saliva, eles permanecem por muito mais tempo nos dentes, dissolvendo minerais e destruindo suas estruturas", ressalta.

Todas essas condições levam ao envelhecimento precoce do sorriso, gerando interferências na saúde sistêmica do paciente. Devemos ter em mente que o nosso organismo é um só e está todo interligado. Um indivíduo saudável não é somente aquele com ausência de doenças, mas sim aquele que se mantém em equilíbrio em todos os aspectos.


* André Pataro

Fonte: * Cirurgião-dentista André Pataro, doutor e mestre em Odontologia e especialista em Periodontia.

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