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É possível espionar as mensagens do WhatsApp conectando à mesma rede Wi-Fi?

Tira-dúvidas explica também por que arquivos 'misteriosos' podem aparecer na lixeira

Por João Cerino em 11/02/2021 às 18:40:45

Tira-dúvidas explica também por que arquivos 'misteriosos' podem aparecer na lixeira. Se você tem alguma dúvida sobre segurança da informação (antivírus, invasões, cibercrime, roubo de dados etc.), envie um e-mail para [email protected] A coluna responde perguntas deixadas por leitores às terças e quintas-feiras.

WhatsApp criptografa mensagens com duas camadas de proteção, deixando transmissões ilegíveis até para pessoas na mesma rede.

Altieres Rohr/G1

É possível que entrar no WhatsApp e visualizar as imagens através da rede doméstica? É possível acessaram o computador e os documentos em pastas alojadas no ambiente de trabalho? Encontrei arquivos temporários na lixeira, mas não fui eu que os eliminei – Ângela

As suas duas questões são bem diferentes, Ângela, então vamos responder uma de cada vez – começando pela do WhatsApp.

O WhatsApp utiliza duas camadas de criptografia para transmitir as mensagens, então não é possível espionar o que é enviado ou recebido só por estar na mesma rede.

Conectar à uma rede insegura não muda isso: se houver uma interferência ou tentativa de espionagem, o WhatsApp deixará de funcionar.

Vale ressaltar, porém, que isso nem sempre foi assim. As primeiras versões do WhatsApp não utilizavam nenhuma forma de criptografia – e era possível ver tudo o que estava sendo transmitido.

A ausência de criptografia não era um problema tão grande quando as pessoas usavam só a rede de casa ou a rede móvel da operadora de telefonia.

Mas o risco tornou-se considerável quando as redes Wi-Fi públicas começaram a se popularizar – redes que, com frequência, não tinham segurança nenhuma.

É por conta desse risco que quase qualquer aplicativo hoje se vê obrigado a adotar pelo menos a criptografia de transmissão (HTTPS) – algo que não era muito comum em sites e serviços na internet até 2010.

Ou seja, a resposta não vale só para o WhatsApp: praticamente qualquer aplicativo que você usa – até jogos e redes sociais – vai usar criptografia e, por regra, não será fácil decifrar e ler o que é transmitido pelos aplicativos, mesmo que esteja na mesma rede Wi-Fi.

Para que outra pessoa veja suas conversas no WhatsApp, ela terá de instalar um aplicativo espião ou pegar diretamente o seu smartphone para abrir o WhatsApp e ler as conversas (nesse momento, a pessoa também pode autorizar uma sessão do WhatsApp Web, que permitirá replicar as conversas do WhatsApp em outro dispositivo para acessos posteriores).

Arquivos misteriosos na lixeira?

Agora vamos à segunda dúvida: se não existe uma invasão no computador ou na rede, como que a lixeira pode ter arquivos "misteriosos" que você não apagou? Na verdade, existem vários programas que colocam arquivos na lixeira.

O Microsoft Office é um dos mais comuns. Quando você descarta um arquivo recuperado (aqueles que o Office abre automaticamente após uma pane no computador ou um desligamento forçado), o arquivo temporário é colocado na lixeira.

Dessa forma, além de solicitar que o Word ou Excel descartem o arquivo, você ainda terá de eliminá-lo da lixeira.

Outro software bastante comum que pode movimentar sua lixeira é o OneDrive, que faz parte do Windows 10.

Se um arquivo sincronizado no seu computador for apagado na nuvem ou a partir de outro dispositivo sincronizado, ele será movido para a lixeira local (além de estar na lixeira da nuvem) e terá de ser removido de lá.

Existem casos em que vírus são colocados na pasta de sistema reservada à lixeira. Quando isso acontece, você geralmente não consegue ver o arquivo malicioso quando abre sua lixeira. É um resultado interessante para o invasor, já que ele não quer que você perceba que há algo errado.

Sendo assim, é muito improvável que um espião ou hacker deixaria arquivos visíveis na sua lixeira. O mais certo é que haja uma explicação inofensiva, como essas acima, para que algum arquivo diferente tenha ido parar lá.

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Fonte: G1

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