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Fiocruz alerta para aumento de bactérias resistentes a antibióticos

O Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar já recebeu em 2021 mais que o triplo de amostras de bactérias resistentes a antibióticos em comparação a 2019

Por João Cerino em 21/11/2021 às 12:15:55

O Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) jĂĄ recebeu em 2021 mais que o triplo de amostras de bactérias resistentes a antibióticos em comparação ao que foi analisado em 2019, Ășltimo ano antes da pandemia da covid-19. O levantamento foi divulgado hoje (19) pelo instituto, cujos pesquisadores alertam para o risco de maior disseminação da resistĂȘncia a antibióticos pelo aumento do uso desses medicamentos durante a emergĂȘncia sanitĂĄria.

As amostras de "superbactérias" sĂŁo enviadas ao laboratório do IOC por outros laboratórios de saĂșde pĂșblica de diversos estados de forma espontĂąnea, jĂĄ que lĂĄ funciona a retaguarda da Sub-rede AnalĂ­tica de ResistĂȘncia Microbiana em Serviços de SaĂșde (Sub-rede RM), instituĂ­da pela AgĂȘncia Nacional de VigilĂąncia SanitĂĄria (Anvisa) e pelo Ministério da SaĂșde (MS). Como unidade de retaguarda, o laboratório atua na anĂĄlise aprofundada das bactérias resistentes a antibióticos, que sĂŁo detectadas em casos de infecção hospitalar.

O IOC informa que, em 2019, chegaram ao laboratório pouco mais de mil amostras de bactérias resistentes a antibióticos. Em 2020, esse nĂșmero chegou a quase 2 mil, e, de janeiro a outubro deste ano, jĂĄ atingiu 3,7 mil. O instituto ressalta que, enquanto os nĂșmeros oficiais da Anvisa sobre bactérias resistentes para 2020 e 2021 ainda nĂŁo estĂŁo disponĂ­veis, o aumento observado em centros de referĂȘncia pode ser considerado como um alerta.

Em texto divulgado pelo IOC/FIocruz, a chefe do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar, Ana Paula Assef, explica que houve um aumento no volume de pacientes internados em estado grave e por longos perĂ­odos durante a pandemia, o que aumenta o risco de infecçÔes hospitalares.

"Em parte, a alta na prescrição de antibióticos nos hospitais durante a pandemia pode ser justificada pelo maior nĂșmero de pacientes graves internados, que acabam desenvolvendo infecçÔes secundĂĄrias e necessitando desses medicamentos. Porém, o uso excessivo precisa ser controlado para evitar que se impulsione a resistĂȘncia bacteriana", alerta a chefe do laboratório.

A pesquisadora disse que pesquisas no Brasil e no exterior sugerem que pode ter ocorrido prescrição exagerada de antibióticos para internados por covid-19. O IOC cita um estudo global publicado em janeiro que aponta um percentual de mais de 70% de pacientes com covid-19 tratados com antibióticos durante a internação, quando se estima que coinfecçÔes bacterianas estejam em apenas 8% dos casos.

Outra preocupação destacada pela chefe do laboratório é o aumento da resistĂȘncia à polimixina, fĂĄrmaco considerado a Ășltima opção terapĂȘutica para infecçÔes que nĂŁo respondem aos demais antibióticos. Esse crescimento se deu em trĂȘs grupos de bactérias frequentes entre os casos de infecçÔes hospitalares: A. baumanii (de 2,5%, em 2019, para 5,6%, em 2021), Pseudomonas aeruginosa (de 14% para 51%), e enterobactérias (de 42% para 58%).

Em agosto, a Anvisa publicou nota técnica com orientaçÔes para reduzir a disseminação de bactérias resistentes durante a pandemia da covid-19, destacando que os antibióticos nĂŁo sĂŁo indicados no tratamento de rotina da covid-19, jĂĄ que a doença é causada por vĂ­rus e esses medicamentos atuam apenas contra bactérias. Os antibióticos sĂŁo recomendados apenas para os casos com suspeita de infecção bacteriana associada à infecção viral, recomenda a agĂȘncia.

Fonte: AgĂȘncia Brasil

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