Polícia Civil reconstruiu cenário de crime

A perícia agora executa um trabalho de análise das informações para elaborar um laudo

Por João Cerino em 17/05/2022 às 13:23:13

Delegado Murilo Antonini

A Polícia Civil promoveu nesta segunda-feira, a reconstituição da morte criança Maria Fernanda Camargo, no dia 23 de março, numa ação que foi das primeiras horas da manhã até próximo das 16h00, com participação da Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros, mas os avós, a tia, mãe e o médium que estão sendo investigados. De acordo com o delegado Murilo Antoninni, a reconstituição reuniu todas as versões e agora deve ser aguardado o laudo do perito com as conclusões sobre o que foi observado nestas movimentações. Após isso, esta diligencia será juntada ao inquérito para dar sequência às investigações.

O delegado disse que a reconstituição confronta a versão dos envolvidos com as outras versões e também serve para saber se cada dinâmica é compatível com as provas juntadas. Segundo ele, houve muitas versões e é certo que vão haver divergências que serão tratadas juntamente com as demais informações e fontes de provas existentes. O delegado informou que é preciso agora aguardar o laudo pericial para concluir a investigação, que, segundo ele, precisa ser concluída. Segundo apontou, muitos pontos ainda ficaram obscuros, apesar do esforço em chegar ao mais próximo do que teria ocorrido."

O delegado Murilo diz que a maioria das versões apresentadas pelos acusados aponta que a vela teria sido aproximada da criança pelo médium que coordenava a sessão, que parentes advertiram que não era para passar tanto álcool, mas ficaram passivos até que se iniciou o fogo. "Houve a tentativa de conter as chamas e conseguiram após algum tempo, encaminhando em seguida ao hospital."

Um detalhe que chamou a atenção do delegado é que o médium havia apresentado três versões e agora na reconstituição, surgiu uma quarta versão, onde ele disse que não se recordava porque era médium inconsciente. "Nas outras, ele se recordava de alguns fatos e, nessa quarta versão, disse que não se lembrava de nada após incorporar as entidades."

Para o delegado, se há algum ponto obscuro, ele precisa ser mais estudado e avaliado até que se descubra novas informações ou que tudo se esclareça. Segundo ele, o caso permanece caracterizado como homicídio doloso, onde a Polícia Civil acredita que se trata de homicídio com dolo eventual. "Talvez ninguém quisesse que ela morresse, mas assumiram o risco de produzir esse resultado morte e assumir esse risco se chama dolo eventual. Mas isso equivale ao dolo, que é intenção de matar."

A prisão temporária dos acusados vence no próximo dia 2 e é preciso que a Polícia Civil decida sobre a prisão preventiva. O delegado Murilo aponta que vai tentar reunir tudo e ver se representa pela prorrogação da prisão temporária, se mudar para prisão preventiva ou muda para que os investigados respondam ao processo em liberdade.

PERÍCIA

O perito Eric Guimarães, que vai emitir um laudo com base na reconstituição, disse que essa metodologia de investigação monta algo parecido a uma história em quadrinhos, de acordo com a narração dos envolvidos. De acordo com ele, essa encenação é analisada pelos critérios físicos, químicos, matemáticos e biológicos. "Nós ouvimos o que a pessoa está dizendo e fazemos uma ilustração, mas testando se aquilo seria possível. Todos falaram sobre o acontecimento, menos uma senhora que precisou ser atendida pelos bombeiros."

A análise da reconstituição, segundo o perito, deve ser entregue em dez dias, mas podem haver mais prazos, de acordo com a sequência da análise do que foi observado e anotado no local. "Se precisar de análise complexa, peço a dilatação do prazo. Mas isso depende do que se encontra ao longo do caminho na análise."

Felipe Mateus - 97FM


Fonte: Rádio 97 FM

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