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Saúde incinerou 227 milhões em vacinas da Covid

Foram descartadas mais de SEIS milhões de doses da Janssen que perderam validade, com valor de 227 milhões de reais

Por João Cerino em 29/05/2024 às 09:06:52

O Ministério da Sa√ļde incinerou em 2024 cerca de 6,4 milhões de doses de vacinas da Covid-19 que perderam a validade. Os lotes descartados são avaliados em R$227.000.000.00. Os imunizantes foram fabricados pela Janssen e usam a tecnologia de vetor viral. As doses descartadas estavam no estoque desde dezembro de 2021 e venceram entre setembro e outubro de 2023. Os imunizantes t√™m dois anos de validade porque a Sa√ļde passou a priorizar os imunizantes de RNA mensageiro, como da Pfizer e Moderna e esse tipo de vacina perdeu força no SUS desde o fim de 2022.

No total, a Sa√ļde recebeu 41 milhões de doses da vacina da Janssen, sendo que 38 milhões foram compradas com o laboratório e tr√™s milhões doadas pelos Estados Unidos. Mesmo com quase um ano de ter assumido a pasta, a equipe do Ministério da Sa√ļde atribui a responsabilidade destas perdas ao governo Jair Bolsonaro. Informações apresentadas em maio mostram que a Sa√ļde descartou produtos avaliados em cerca de R$ 314 milhões em 2024, incluindo as vacinas da Janssen. Por regras da legislação sanit√°ria, produtos vencidos ou que são reprovados em inspeção precisam ser incinerados.

Depois deste imunizante, os lotes incinerados de maior valor são de imunoglobulina anti-hepatite B e da vacina meningocócica, contra a meningite, avaliados em cerca de R$ 16 milhões cada. No estoque central do ministério, localizado em Guarulhos, ainda estão armazenados cerca de R$ 200 milhões em produtos j√° vencidos e que devem ser incinerados. Os lotes mais caros (cerca de R$ 120 milhões) são roupas de proteção doadas ao Brasil durante a pandemia e que se tornaram um problema para a gestão atual, pois o descarte é caro e causa dano ambiental.

Mesmo deixando o estoque vencer, o Ministério da Sa√ļde planeja comprar 70 milhões de doses da vacina da Covid-19 em 2024. A pasta, porém, atrasou a compra emergencial de uma parcela de 12 milhões destes imunizantes. O plano era receber em março as primeiras vacinas atualizadas para a Covid, mas as doses da fabricante Moderna começaram a ser entregues em maio.

O atraso tornou o governo Lula alvo de cr√≠ticas que extrapolam o campo da pol√≠tica e vindas de grupos como o centrão, que cobiça o controle da pasta. Integrantes da comunidade cient√≠fica, profissionais de sa√ļde, entre outros grupos, lançaram um abaixo-assinado cobrando do Ministério da Sa√ļde a entrega das vacinas preparadas para novas variantes e mais medidas para fortalecer o combate à doença.

O ministério ainda não abriu a disputa pelo restante das doses que pretende comprar neste ano. Em nota, a pasta disse que o processo licitatório est√° em andamento e que não faltar√° doses para a população.

Fonte: Folha de S. Paulo

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