Farol

CFM divulga resolução sobre uso da hidroxicloroquina por inalação

O Conselho Federal de Medicina publicou, no Diário Oficial da União uma resolução que estabelece a inalação como procedimento experimental

Por João Cerino em 14/05/2021 às 09:34:08

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, no Diário Oficial da União desta quinta-feira (13) uma resolução que estabelece a inalação de hidroxicloroquina e cloroquina enquanto "procedimento experimental".

A administra√ß√£o do medicamento só poder√° ser feita conforme regras aprovadas pelo sistema formado pela Comiss√£o Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), que é a inst√Ęncia m√°xima de avalia√ß√£o ética em protocolos envolvendo seres humanos, e pelos Comit√™s de Ética em Pesquisa (CEP), que s√£o as inst√Ęncias regionais em todo território nacional.

De acordo com o CFM, a decis√£o veio após o conselho "se debru√ßar sobre aventada possibilidade de a apresenta√ß√£o inalada desses f√°rmacos ser uma alternativa para reduzir o risco de eventos adversos e aumentar efic√°cia no tratamento contra a covid-19".

Em sua an√°lise, o CFM pondera que a hidroxicloroquina para uso inalatório n√£o é recomendada pelo fabricante e que n√£o h√° na literatura nenhuma informa√ß√£o sobre a efic√°cia e seguran√ßa da medica√ß√£o aplicada por essa via. Segundo o conselho, s√£o, portanto, necess√°rias pesquisas que comprovem a efic√°cia e seguran√ßa, assim como a dose a ser aplicada.

Em nota, o CFM informa que tem "compet√™ncia legal de determinar o que é, ou n√£o é, tratamento experimental no pa√≠s" e que, com base nessa outorga legal, elaborou um parecer que "estabelece critérios e condi√ß√Ķes para a prescri√ß√£o de cloroquina e de hidroxicloroquina em pacientes com diagnóstico confirmado de covid-19, delegando ao médico e ao paciente a autonomia de decidirem juntos qual a melhor conduta a ser adotada, desde que com o consentimento livre e esclarecido firmado por ambas as partes".

O CFM, no entanto, alerta que a "simples dissolu√ß√£o" de um comprimido de hidroxicloroquina para produzir uma solu√ß√£o para inala√ß√£o "n√£o deve ser considerada, em vista dos excipientes presentes no produto, que podem ser agressivos às vias aéreas, e da dificuldade de estabelecer as dosagens compat√≠veis com os limites da administra√ß√£o inalada".

A entidade acrescenta que a obten√ß√£o de nova apresenta√ß√£o medicamentosa para uso inalatório "é um processo complexo, da compet√™ncia de farmac√™uticos especializados em técnica farmac√™utica", e que esse é um "fato que n√£o pode ser ignorado pelo médico que pretende prescrever tal produto, pois se trata de procedimento experimental e est√° fora de sua compet√™ncia responsabilizar-se pela qualidade, pureza e seguran√ßa de um produto experimental que foi processado por outro profissional de sa√ļde".

Fonte: Agência Brasil

Comunicar erro
Revista Atual