Polícia Civil detalha investigações em Capitólio

Dezessete pessoas já foram ouvidas e os trabalhos periciais prosseguem para apurar acidente que provocou a morte de dez pessoas

Por João Cerino em 15/01/2022 às 13:01:47

PCMG / Divulgação

A Polícia Civil de Minas Gerais divulgou, nesta sexta-feira, 14, durante entrevista coletiva em Belo Horizonte, as ações que estão sendo tomadas até o momento para a investigação dos fatos que provocaram a morte de dez pessoas em Capitólio, no sudoeste do estado. Os ocupantes de uma lancha de turismo morreram após a queda de uma placa rochosa em um dos cânions da região, no sábado, dia 8 de janeiro. O delegado regional em Passos, Marcos Pimenta, responsável pelo inquérito policial, detalhou que já foram ouvidas dezessete pessoas no curso das investigações, incluindo vítimas que tiveram ferimentos leves, residentes no Rio de Janeiro, que contribuem para as apurações como testemunhas do acidente.

O delegado assinala que os depoimentos estão sendo colhidos dentro de um trabalho que requer calma e serenidade, para apresentar o melhor resultado à sociedade. As equipes de peritos criminais da PC continuam atuando no local do acidente para colher informações para o laudo pericial que irá subsidiar as investigações. Policiais especialistas em Geologia, foram deslocados de diferentes regiões do estado e trabalham, desde quinta-feira, 13, em todo o trecho do cânion onde ocorreu o acidente.

Marcos Pimenta ressaltou que a Polícia Civil mineira atua com base nos conhecimentos científicos para esclarecer todos os fatos. "Não estamos poupando nenhum esforço. Nosso foco não é procurar culpados e sim encontrar respostas para apresentar um inquérito policial robusto que poderá, inclusive, servir de parâmetro para que outras tragédias como essa sejam evitadas futuramente", afirmou. De acordo com ele, o que se sabe é que essas placas rochosas têm uma tendência natural de se desprenderem. "Cabe à Polícia Civil apurar se houve alguma ação de terceiros para acelerar esse processo natural", completou.

Entre os fatores externos que a Polícia Civil avalia, o delegado citou, por exemplo, a ação das chuvas, a proximidade da rodovia com os cânions e outras interferências, como construções urbanas. "Mas repito: isso só poderemos dizer ao final das investigações. Se houver uma entidade ou indivíduo que, de alguma forma, tiver contribuído para a aceleração da queda dessa placa, com certeza será responsabilizado criminalmente. Se preciso for, podemos até pedir outros laudos complementares, como uma avaliação sismológica. Mas tudo isso vai depender da análise que os nossos peritos estão realizando neste momento", assinalou.

FISCALIZAÇÃO

Sobre as responsabilidades de fiscalização e regulamentação da atividade de turismo na região conhecida como Mar de Minas, o delegado também observou a necessidade de cautela. "A Marinha do Brasil tem nos apoiado de maneira muito importante. Seus profissionais estavam envolvidos quando do resgate dos corpos das vítimas, junto ao Corpo de Bombeiros e também não poupam esforços", afirmou Marcos Pimenta ao pontuar que a conclusão das investigações poderá apontar ou não possíveis omissões.

IDENTIFICAÇÕES

Marcos Pimenta destacou, ainda, o trabalho rápido da Polícia Civil, com apoio da Polícia Federal, na identificação das vítimas fatais da tragédia, que permitiu a identificação de todos os dez corpos em menos de quarenta horas. Além disso, desde a primeira notícia do acidente, a PC provê assistência integral aos familiares das vítimas. "Tivemos todo o cuidado de montar um grupo de apoio a essas pessoas, até que pudessem estar a par do nosso trabalho antes mesmo que fossem noticiados", enfatizou Pimenta. Segundo ele, as investigações estão em andamento e ainda não há prazo definido para conclusão.

Fonte: Ascom - PCMG

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